
Porque tem de ser tudo assim tão certinho e falso como a "high Society" nos impõe? Tem de ser tudo de acordo com os padrões, a cultura e com a maioria. EU sozinho não sou a maioria, porra! Tenho minhas vontades próprias e não me enquadro muito bem nessas suas regrinhas capitalistas. Porque eu tenho que cobrir o meu rosto com uma mácara de quase um quilo de maquiagem, só para ir à uma festa ou à um encontro chamado "formal"? Quer dizer então que nesses dias tenho de ser alguém que não seja a mesma do meu dia-a-dia? Porque é que eu tenho de gostar de salto, só porque eu sou mulher? Salto... aquela coisa desconfortável, incerta e insegura. É incrível as transformações mútuas e rápidas de um mesmo ser. O melhor exomplo é reparar em uma festa.
Começo da festa: Mulheres com cabelos chapados ou com penteados 'de rainha', maquiagem que até petrificam a pele, um vestido enorme, de preferência com bastante brilho, e pra finalizar, um salto enorme e de bico fino. Todas elas sentadas e comportadas, se cumprimentando com três beijinhos.
Final da festa: Mulheres literalmente descabeladas, a maquiagem desfeita ou já quase inexistente, dando a aparência de cansaço; o vestido todo amarrotado e segurado nas mãos, de forma a torná-lo mais curto. O salto? Esse, ou se encontra debaixo da mesa ou em algum canto próximo à pista de dança, pois as mesmas mulheres comportadas de antes, agora perderam a sua tão pomposa classe e charme, e se submeteram à "Dança do Créu".
Dança e letra, que ridiculariza ainda mais a imagem da mulher, nessas berrações como o Créu e outras 'aberrações', que não podem nem sequer ser chamadas de músicas. Tipos esses vulgares, obscenos, ricículos e de submissão da mulher, que infelizmente aceita sua posição, prestando-se o papel de mulheres-frutas. Nunca antes foi tão explícito o sexo e a falta de vergonha na cara.
Seria eu mesmo assim obrigada a seguir essas normas? Me excluo "dessa" sociedade então e me junto aos que ainda tem um censo crítico de análise e dão valor ao ser que são. Me junto àqueles que ainda tem respeito a si mesmo e áqueles que valorizam a vida e as coisas simples presentes nela, sem ser necessário se passar por outra pessoa para seguir as regras capitalistas.



